Artesão
Cyro Lethieri
Cyro nasceu no município de
Muqui-ES, em 11 de julho de 1939, onde cresceu e estudou até o Ensino Médio,
saindo apenas para cursar o Curso Superior de História, na UFES.
Sua tendência espiritual sempre foi voltada para
uma vida monástica, tendo estudado em colégios internos dos Padres
Agostinianos. Essa atitude interiorizada permitiu o desenvolvimento do seu
dom artístico, devido a convivência no colégio interno com as aulas voltadas
para a Educação Artística. Juntamente com o nascimento de seu dom para a
pintura, também despertou a decoração com flores naturais, para festas,
aniversários, casamentos, o que posteriormente tornou-se fonte de renda
alternativa.
Com 18 anos aproximadamente, iniciou a confecção de
pinturas em tela, sem ter tido qualquer curso ou treinamento sobre esta
técnica, permitindo que sua própria técnica nascesse. A comercialização
dessas peças tornou-se uma fonte alternativa de renda, dividindo com a
decoração de eventos a sua fonte de sustento.
Quando
estava na Universidade, as matérias de estudo da História da Arte foi outra
motivação para o processamento de sua sensibilidade artística e o
aprimoramento de sua visão da realidade, combinando o acontecimento
histórico com o florescimento das diversas técnicas de expressão humana
através da arte.
Após a Licenciatura em História, assumiu a cadeira de
professor de História no Colégio Estadual em Muqui, continuando suas
atividades de pintura e decoração. Mesmo sendo convidado para atuar como
professor acadêmico em faculdades, preferiu permanecer em sua cidade natal.
Na década de 50, iniciou-se a pintura da cúpula da capela
Mor da Igreja Matriz de São João Batista, executada pelo pintor italiano
Josep Irlandini. A contínua observação do trabalho do artista, tornando-se
amigo pessoal, e ajudando em algumas tarefas dentro do todo da obra,
ofereceu a Cyro uma fonte de aprendizado de pintura pela simples observação
de trabalho tão expressivo.
Em 2004 foi executado a restauração da pintura da igreja,
tendo o Cyro acompanhado o trabalho de restauração do artista Vicentini, e
novamente tornando-se amigo pessoal do restaurador.
Suas obras
são expressão do íntimo de sua alma, não seguindo uma escola específica, e
nem tão pouco segue modelos, ou copia modelos. As obras de outros artistas
podem favorecer com inspirações em alguns detalhes, mas sempre deixa sua
alma direcionar as pinturas.
A partir do final da década de 60 percebeu que sua visão
havia sofrido uma degeneração acentuada e a busca de tratamento para
recuperação não foi suficiente para a solução, porem, resultou na
interrupção do processo degenerativo, permanecendo estável até hoje, com 1/4
do campo de visão. Isso não o impediu de adaptar-se e a continuar suas
obras.
A criação é sua grande alegria, montando mentalmente os
temas e promove a transferência de sua visão para a realidade em pintura.
Suas obras foram para todo o país. A Obra "Uma tarde após
uma chuva, numa feira em Paris" está em Recife-PE. A "Revolução Farroupilha"
foi inspirada em uma pequena imagem do encarte Domingo do Jornal do Brasil,
sendo uma das obras que mais marcou a emoção do artista Cyro.
Cyro produz suas próprias telas, utilizando vários
materiais, como estopa, fibra, entre outras.
Casou-se aos 42 anos com Lucy do Carmo Vidal, ela quando
tinha seus 40 anos. A primeira filha, Anna Lia, nasceu no segundo de
casamento. O risco que sofreu na gravidez de risco, fez com que o casal
optasse por uma filha do coração, Lucyanna, que foi adotada em 1986.